Fui até Capão da Canoa passar o reveillon com a família (até então tudo normal) comidas, champagne, promessas... Todo este ritual tornava a espera menos ansiosa, o novo ano chegaria com as queimas de fogos. Tinha tudo para começar bem, a queima de fogos seria apenas parte deste ritual, seria as boas vindas ao final 8. Foi então que 100 mil pessoas que estavam a beira-mar se decepcionaram, a ano novo chegou sem fogos, sem o brinde de boas vindas. Motivo: 5 corujas próximas ao local da festa ficariam estressadas com a efetuação dos fogos.
Aonde foi parar o bom senso? Como 5 corujas poderiam acabar com a festa de 100 mil pessoas?
Os defensores deste ato argumentam que as corujas são protegidas por lei, então o que ocorreu foi apenas o cumprimento da lei. Daqui uns dias tudo vai estar protegido por lei, porque este é o país que mais decreta lei no mundo. Não se assuste, daqui uns anos quando matar um rato em sua casa você poderá responder um processo criminal. No Brasil dizem que é melhor matar um fiscal do Ibama ao ser flagrado matando um animal, do que o próprio animal. Coisa meio incoerente, não?
Este embate tinha solução:
Se removessem as corujas do lugar e recolocassem após o termino das festas ou construísse um abrigo;
Se colocassem os fogos em uma distância segura das corujas.
Já que chegamos neste assunto, mesmo sabendo que foi a FEPAM que proibiu a queima dos fogos, sempre tive um pé atrás com as organizações não governamentais defensoras do meio ambiente, por exemplo, Greenpeace. Durante a Guerra Fria na década de 70, os ativistas dessa organização tiveram um papel fundamental para o fim dos testes nucleares norte americanos, ganhando assim atenção do mundo e apoderando de peso político para intervenção em outros assuntos ambientais. Visivelmente todos fundadores adotavam postura de esquerda, com o termino da Guerra Fria muitos comunistas ficaram sem causa e migraram para o Greenpeace.
A organização começou ter atitudes mais radicais, ainda com idéias antiquadas passaram a se posicionar contra o capitalismo. Ou melhor, hoje Greenpeace é contra todos, apontam todos os problemas do mundo, mas nada fazem para achar soluções, sua palavra de ordem é: proibir. Quem sustenta meus argumentos não é ninguém mais que Patrick Moore, fundador que hoje tem relações nada amistosas com seus ex-companheiros do Greenpeace. Em uma entrevista realizada pela revista Superinteressantel do mês de setembro de 2007 foi lhe perguntado:
Você costuma ser acusado de trair o movimento ecológico, de se vender ao inimigo porque hoje dá consultoria a empresas, inclusive da área nuclear. Você virou a casaca?
Eu não mudei de lado, pois sempre acreditei que nós precisamos equilibrar as necessidades das pessoas com a proteção do ambiente. O que há de errado em ajudar a indústria a vencer desafios ambientais? Afinal é ela, com seus produtos e serviços, que torna a vida civilizada possível. Al Gore e os líderes do Greenpeace vivem com todos os confortos modernos, mas querem que nós voltemos a uma espécie de era pré-industrial.
Entre outras partes interessantes, me chamou atenção quando Patrick Moore fala que o maior problema do planeta é a pobreza “Na minha opinião pessoal, a maior questão ecológica é a pobreza. Sociedades pobres não conseguem limpar a água que sujam, nem replantar as árvores que cortam”, em seguida diz que as elites políticas estão tentando assustar o público para ganhar controle sobre ele, e o meio para este fim vem de organizações como Greenpeace.
A energia nuclear hoje é considerada um método limpo de energia, porém ativistas ecológicos desprezam por razões emocionais, como desprezam a criação de peixes em cativeiros, uso do cloro para tornar a água potável e os alimentos transgênicos.
Na minha percepção os alimentos transgênicos são os mais injustiçados, tendo como base pesquisas pseudo cientificas afirmam que estes alimentos geneticamente modificados apresentam malefícios a saúde humana, porém nada confirmado. Logicamente se algo não é ruim, é bom. Em uma pesquisa rápida pelo site do Greenpeace tanto na versão em ingles quanto na versão em português quase não há cobertura sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde pública, por que será? Se eles são os defensores do mundo deveriam condenar os agrotóxicos também! Este sim causa sérios riscos à saúde. Dados do Wikipédia (conheço a fama deste, mas não tive tempo de fazer uma pesquisa mais sofisticada) mostra o uso indiscriminado do agrotóxico “O Brasil supera em sete vezes a média mundial de 0,5 kg/habitante de veneno. Essa média, no início dos anos 80, era de 3,8 kg/hab., número esse que aumentou em 1986, com a injeção temporária de recursos do Plano Cruzado. Então, o consumo elevou-se de 128.000 toneladas para 166.000 t/ano. Em percentual, o consumo cresceu em 421%, no período de 1964 a 1979, enquanto que a produção das quinze principais culturas brasileiras não aumentou mais do que 5%”. Como me criei no interior, na região de maior concentração de plantação de fumo do Brasil conheço muito bem a potencialidade maligna dos agrotóxicos na saúde humana e animais como no meio ambiente. E também sei o tamanho do lucro das indústrias de agrotóxicos. Usando sementes transgênicas quase não há necessidade de usar agrotóxico, existem interesses por parte do Greenpeace de manter esta cultura, se não grandes campanhas seriam realizadas para condenar os agrotóxicos, como fazem com outros temas.
Existem problemas sérios sobre questões ambientais a serem resolvidas, a consciência que temos hoje deveríamos ter tido há uns 20 anos atrás, como não tivemos os paises subdesenvolvidos do século XXI pagarão está conta, os países desenvolvidos de hoje na época que prosperaram nem pensavam sobre questões ambientais, portanto existem desenvolvimento sustentável, para isso é essencial a solução de muitos problemas: Educação. E isso deve partir de cada pessoa ou serem estimuladas por pessoas sem causas políticas a serem defendidas, gostaria que o Greenpeace fosse assim, mas o que vimos não passa de uma organização politizada de extremistas. Muitos não concordam com o que digo por isso aqui existe espaço para todas as opiniões.
Ahh... querem saber notícias das corujas? Estão lá ainda, agora vigiadas por policiais 24h por dia.